
CRONOLOGIA
FATOS QUE LEVARAM AO AFUNDAMENTO
2018
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As primeiras rachaduras que evidenciaram o problema, surgiram no Pinheiro em 15 de fevereiro de 2018, após chuvas fortes. Três quarteirões do bairro foram afetados por uma das rachaduras que tinha 280 metros de extensão.
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No dia 3 de março, a situação se agravou e um tremor de magnitude de 2.5 na escala Richter foi sentido na região. O geólogo André Galindo, levantou a hipótese de que o tremor de terra teria sido provocado por uma acomodação do solo, a 300 metros de profundidade.
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Em junho, uma cratera surgiu e os danos apenas aumentaram.
2019
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Houve o reconhecimento da situação de emergência pela União.
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Em janeiro de 2019, geólogos do Governo Federal começaram a analisar o fundo da Lagoa Mundaú, que é próxima ao bairro.
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Foi iniciada a realocação das famílias que viviam nas áreas de risco,
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Em 18 de janeiro, a União liberou R$ 480 mil para o pagamento de aluguel social para as famílias que deixaram suas residências.
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No dia 21, foi iniciado um estudo para medir a resistência do solo na localidade.
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Em fevereiro, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) divulgou quatro hipóteses para as rachaduras. No dia 8 de maio em um relatório apresentado, duas das hipóteses já haviam sido descartadas. As características geológicas e presença de vazios decorrentes da mineração, no entanto, foram analisadas e relacionadas.
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No mesmo relatório, o CPRM confirmou que a extração de sal-gema foi a principal causa das rachaduras nos bairros, agravadas pela infiltração de água no solo, e as áreas de risco foram ampliadas.
Fonte: G1
O DESASTRE
chão não é mais seguro. Com um terremoto de magnitude 2.5 na escala Richter, um alerta foi dado à população. Os cenários de devastação apocalíptica se intensificaram e milhares de famílias tiveram de deixar suas memórias para trás. O que você faria se o lugar onde você construiu a sua história, simplesmente desaparecesse? Esse é o drama dos moradores de quatro bairros da capital alagoana.
Apesar do aviso ter sido dado através de um tremor de terra, a única culpa que a natureza carrega é a de ter sido explorada. Rachaduras por todas as ruas e crateras surgindo subitamente são a triste confirmação de que é tarde para evitar o que virá. Os bairros do Pinheiro, Bebedouro, Mutange e Bom Parto irão afundar, e enterrados com eles ficarão perdidas as histórias dos que há tantos anos deram vida ao lugar.
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O misto de revolta, raiva e tristeza toma posse não só dos que foram diretamente atingidos, mas de toda cidade. Não há indenização que pague a destruição de um lar. Com o afundamento do solo, Maceió perde quatro dos seus membros, o número de cidadãos afetados é cerca de 55 mil, e os danos ambientais são graves. A natureza foi explorada exaustivamente durante anos pela mineração de Sal-gema, e em 2018 começou a dar sinais do seu cansaço. Os prejuízos aconteceram e permanecem acontecendo em todas as áreas. Hospitais, igrejas e escolas foram notificadas, e também precisaram se mudar, enquanto nas ruas, os habitantes de quatro patas sofrem com o abandono.
Devastado e em ruínas, se tornando alvo de ladrões, foco de doenças, pragas e festas clandestinas, o local ganhou o título de “bairro fantasma”. As autoridades da mineradora Braskem, prometem colaborar nos estudos do caso, compensar e garantir a segurança dos moradores. Enquanto as entidades governamentais, procuram estabilizar a situação e tranquilizar a população.
Foto: Reprodução Instagram / @psico_paulo
O QUE ACONTECEU?
m uma quinta-feira chuvosa de 2018, a terra tremeu no bairro do Pinheiro, assustando moradores e se tornando a notícia mais comentada na cidade. O tremor confirmou que as rachaduras que há anos apareciam nas casas da região não eram, infelizmente, o problema real, eram apenas o sintoma.
Extremamente atípico, o fenômeno chamou a atenção das autoridades e estudiosos, que compreenderam a relação entre ambos os eventos. Foi iniciada a procura do motivo das transformações do solo, explorando a lagoa mundaú, próximo ao bairro, veio a certeza de que sozinha ela não causaria tamanho prejuízo em um bairro inteiro, além de localidades vizinhas.
As hipóteses foram surgindo e uma acomodação do solo a 300 metros de profundidade foi a mais relevante. A questão que invadiu a mente da população foi: o que foi tirado tão profundamente do solo que fez com que ele perdesse seu sustento? Se sabiam o quão era importante para a sustentação do solo, por que foi retirado? E quem retirou? A partir das duas últimas perguntas, os estudiosos conseguiram ligar os pontos rapidamente.
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O solo da área possui diversos poços de exploração de Sal-gema, matéria-prima utilizada principalmente na produção de PVC. Uma empresa vinha para Alagoas com o objetivo de extrair essa matéria e com a promessa de geração de empregos e movimentação da economia, o que de fato aconteceu. Só não se sabia na época quem iria pagar por essas ações.
A exploração do solo para extração de sal-gema pela Braskem foi a causadora do desastre, com este veredito, os responsáveis tiveram que lidar com a situação. Aceitar o fato de que a probabilidade do bairro - e não só ele, mas também outras três regiões próximas - poderiam afundar, foi difícil de aceitar. As autoridades receavam o peso que esse fato traria para todo o estado. E muitos dos moradores não chegaram a acreditar o quão grave era a situação.
Os estudos sobre o dano no solo avançaram e a realocação da população se mostrou realmente necessária. Para prosseguir o deslocamento dos moradores, a área foi dividida em zonas determinadas por cores e letras, iniciando a evacuação a partir da Zona A, de cor vermelha. A descrença, o apego ao local e a falta de condições financeiras dos moradores no início a situação, colaborou para a demora no processo de retirada dos moradores e a proliferação de fake news.
Foto: Reprodução da Internet
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O INÍCIO DE TUDO
im, é claro que as fortes chuvas e o abalo sísmico de 2.5 graus na escala Richter - tremor esse, prontamente negado e supostamente não reconhecido pela Defesa Civil de Maceió e pela própria Braskem - que aconteceram entre fevereiro e março de 2018, foi um dos grandes fatores para o aparecimento de rachaduras e fissuras nos bairros afetados.
Vídeo: Reprodução / Tv Pajuçara
Mas o que apenas se soube quase um ano após o tremor, em documento disponível ao público pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), foi que a principal causa para o surgimento dessas rachaduras nos imóveis foi a exploração de sal-gema feita nas últimas quatro décadas pela empresa petroquímica Braskem. Ainda segundo o relatório realizado por mais de 50 pesquisadores, a exploração, feita de forma inadequada, desestabilizou as cavidades subterrâneas causando o afundamento do solo e as rachaduras.
Pela presença majoritária de energia sísmica em forma de ondas de superfície, os pesquisadores constataram que a fonte sísmica está próxima à superfície e não se trata de um evento tectônico causado por uma falha geológica profunda. A energia identificada nesses sismogramas também comprova a origem rasa desses tremores de terra, pois a energia é inferior aos sismos de origem tectônica. Sendo mais próxima da energia liberada em explosões, colapsos ou desabamentos.
O resultado mostra que há indícios de que a atividade de extração de sal-gema alterou o estado de tensão in situ (natural ou normal) de todas as unidades geológicas, gerando colapso de algumas cavidades e aumentando a instabilidade das unidades."
Tenha acesso ao relatório aqui.
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Após o relatório, a Braskem decidiu paralisar todas as atividades no estado.
Na época, uma equipe do CPRM esteve no local e registrou que no último trimestre de 2019, determinada parte do solo no Mutange afundava em uma velocidade de 27,5 centímetros por ano.
A sal-gema explorada pela empresa Braskem tem uma cadeia produtiva diversificada e é utilizada na produção de tubos de PVC e soda cáustica. Para simplificar, a exploração de sal-gema abriu minas no solo, em perfurações com centenas de metros. Com o tempo, as paredes das “cavernas” começaram a ceder e desmoronar, o que causa a instabilidade no solo, com fissuras pelo chão e rachaduras nas edificações.
O MUTANGE AFUNDAVA 25,7CM POR ANO
Fonte: Diario do poder
Fotos: Reprodução da Internet
PREJUÍZOS CAUSADOS
s prejuízos vão além do que simplesmente perder a casa. O pertencimento e familiaridade também devem ser colocados na balança. Laços entre a vizinhança e memórias firmadas na localidade foram todas abaladas por conta dessa migração abrupta.
Conversamos com a ex-moradora do bairro do Pinheiro, Mércia Pimentel, que se viu obrigada a desocupar seu lar em 2019 por conta de toda essa problemática, deixando para trás toda uma história construída junto com sua família. Ela comenta sobre seus momentos com o bairro no vídeo ao lado:
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As perdas materiais são inestimáveis, o bairro do Pinheiro e suas adjacências possuíam grande relevância histórica e social. Diversos negócios, comunidades, espaços de lazer e pontos de encontro da população, todos estes sofrem com o desmembramento dos bairros.

A professora universitária Mércia Pimentel falou sobre sua experiência em meio ao desastre.
PRÉDIOS E IGREJAS
As perdas materiais são inestimáveis, o bairro do Pinheiro e suas adjacências possuíam grande relevância histórica e social. Diversos negócios, comunidades, espaços de lazer e pontos de encontro da população, todos estes sofrem com o desmembramento dos bairros.
Dentre estes locais estão: Praça da Igreja Santo Antônio, o Prédio Centenário das Órfãs Desvalidas de Nossa Senhora do Bom Conselho, Igreja Santo Antônio e a Estação de trem no bairro de Bebedouro. A Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Casa de Nise da Silveira, em Chã de Bebedouro. O prédio que estava abrigando a casa de saúde José Lopes, no bairro de Mutange. A Igreja Batista do bairro Pinheiro e muitos outros.
Fotos: Beto Macário/UOL
Dos locais citados acima, a Igreja Batista do Pinheiro foi a primeira que fez uma solicitação e campanha de tombamento. Como pioneira, a IBP sempre esteve na luta em defesa dos direitos humanos. O pedido foi feito oficialmente no dia 29 de março, e teve o apoio de várias entidades que se solidarizaram com a causa.
O manifesto foi assinado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), Unidade Popular, Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (SINTEAL), Comissão Pastoral da Terra (CPT) e alguns outros movimentos.
Um trecho da nota diz: “Conclamamos aos demais atores sociais e das organizações a se somarem em uma frente ampla em defesa do tombamento desta tão importante instituição, como garantia de preservação da memória e do reconhecimento do prédio da IBP como Patrimônio do Povo Alagoano, devido ao seu valor social, histórico, cultural e arquitetônico, impedindo que venha a ser destruído ou descaracterizado”.
Por causa do abandono, a IBP foi arrombada e furtada à luz do dia. Os criminosos levaram o equivalente a R$15 mil em máquinas, caixas de som, cabos e outros equipamentos.
“Havia um arrombamento nos fundos, isso porque há um vazio, um abandono absoluto. Nós não temos exatamente por onde nos precaver, tínhamos colocado grades para tentar nos resguardar. Inclusive foi dito na primeira reunião com a Braskem, que a vulnerabilidade iria nos causar prejuízos, foi o que aconteceu”, afirmou o Pastor Wellington Santos.
Mas o clima de despedida veio também para a Igreja Assembleia de Deus do Pinheiro, que já tinha 73 anos de existência no bairro. A igreja realizou um culto de despedida. O pastor-presidente José Orisvaldo Nunes de Lima disse: “O templo será derrubado, mas o que Deus fez aqui continuará vivo no coração de cada crente e se espalhará por vários bairros de Maceió”. Veja o vídeo que homenageia a igreja abaixo.
Ao todo, oito igrejas da Assembleia fecharão as portas, os fiéis já estão procurando outras congregações nos bairros em que estão se mudando. O pastor se mantém esperançoso: “A obra de Deus não para, ela continuará avançando em Maceió e em todo estado de Alagoas. Perdemos oito templos devido a este grave problema. Porém, estamos construindo outras 19 igrejas somente na capital".
Fotos: Reprodução / Elisângela Moreira
COMÉRCIOS
O comércio também foi afetado pela desocupação dos bairros. A Braskem informou em nota: “Tem mantido diálogo permanente com as autoridades públicas, na busca das melhores soluções para os moradores e comerciantes atendidos pelo Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação''.
Informou também que 90% dos pontos comerciais já foram realocados. Em torno de 1.000 pontos foram afetados pela desocupação dos bairros. Completou afirmando: "Um grupo especial, de técnicos sociais, está buscando ativamente os empreendedores, inclusive por meio dos seus advogados, para entender as necessidades específicas deste grupo e assim garantir a sua realocação".
CEMITÉRIOS
Já não fosse o bastante expulsar os vivos, aqueles que descansam também tiveram que ser realocados. Isso porque o Cemitério Santo Antônio, no bairro do Bebedouro, foi interditado pela Superintendência Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Sudes) a mando da Prefeitura de Maceió.
Por causa da instabilidade e das rachaduras no solo, as ossadas tiveram que ser transferidas para outros cemitérios. Inconformada com a situação, a professora Neirevane, que tem seus avós enterrados no cemitério Santo Antônio a mais de 30 anos, disse: “É um total desrespeito. Porque nos obrigaram a sair dos nossos lares. Expulsaram os vivos e agora estão expulsando os mortos também.”
“A Sudes realizou um levantamento das áreas afetadas para alinhar junto à Braskem e tomar as medidas cabíveis. Excepcionalmente ficam autorizados os sepultamentos em jazigos particulares, até a definição de traslados dos restos mortais para outros cemitérios”, afirmou a Sudes em nota.
Fotos: Retiradas da Internet
RESSARCIMENTO E APOIO AOS MORADORES
om a necessidade inicial de realocar os moradores das áreas de maior risco, em novembro de 2019 foi criado o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação, e também a abertura da central do morador. Em janeiro de 2020 houve a desocupação das áreas de risco, com o programa já ativo. O trabalho de conscientização da população, foi árduo, logo que boa parte dos moradores não sabiam, ou não acreditavam na gravidade da destruição e tragédia que o afundamento poderia trazer.
Segundo a mineradora Braskem o Programa de Compensação Financeira e Apoio à Realocação funcionava desta forma: o morador dava entrada no programa e enviava a documentação solicitada, a equipe auxiliava com o registro de imóveis, a regularização de documentos pessoais e a abertura da conta bancária. Com o suporte do programa, o favorecido buscaria por uma nova residência, neste período, depois de assinado o termo de compromisso, o cidadão teria direito à guarda-móveis, hospedagem e acomodação de animais.
Agendada a mudança para o novo imóvel, o cidadão teve direito ao transporte dos bens e ao recebimento do auxílio financeiro, sendo esse, no valor de R$ 5 mil e caso o morador se mudasse para um imóvel alugado, por ainda estar a procura de uma residência fixa, o auxílio-aluguel mensal é de R$ 1 mil, que é pago por no mínimo seis meses e até dois meses depois da homologação do acordo entre a mineradora e o morador. Além de R$ 6 mil de adiantamento, como descreve o documento de atualização da Braskem. Após essas etapas, o auxiliado entra no fluxo de compensação e em todas elas têm direito ao acompanhamento de um psicólogo.
Para os moradores que terão que realizar esse processo e para todas as circunstâncias derivadas dessa situação, a Braskem oferece perguntas e respostas prontas em seu site, com todos os contatos necessários para sanar as dúvidas. O maior problema recorrente, é a recusa do valor ofertado pela Braskem. É notável que o valor oferecido pelo imóvel e danos morais tem um padrão, além das avaliações da propriedade, porém antigos inquilinos que investiram um alto valor na residência e/ou possuem um grande apego emocional com o local, não se sentem satisfeitos com as propostas negociadas. O protocolo nesse caso é acionar a justiça, no entanto, o andamento do caso tende a ser demorado, o que preocupa e traz angústia à população atingida.
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Fonte: Braskem
O DESTINO É A PARTE ALTA
população atingida pela tragédia, busca um novo imóvel para chamar de lar. De acordo com as observações de ex-moradores e familiares da região do Pinheiro e adjacentes, e os relatos dos moradores da parte alta de Maceió, o fluxo de mudanças possui um padrão. Muitas famílias estão se dirigindo para a região alta de Maceió, é percebido uma diferença no desenvolvimento e absorção nos bairros.
De acordo com Monalisa, corretora da imobiliária Zampieri Imóveis, nos bairros da Serraria, Gruta e Antares, há uma grande procura por imóveis para alugar, mostrando uma tendência a prováveis mudanças de localidade posteriormente. Já no Tabuleiro dos Martins e Cidade Universitária, de acordo com relatos de moradores das regiões, a busca é voltada principalmente para a compra de imóveis, o que estimula o mercado imobiliário, que tem se desenvolvido e segue com grandes demandas. O número de prédios residenciais e condomínios vêm se multiplicando. Em construção avançada ou na planta, a migração de moradores prejudicados têm buscado moradia fixa nos bairros.
Com a intensa procura, os proprietários precisaram tornar mais viável os acordos de compra, muitos potenciais compradores iniciaram a busca pelo imóvel antes de terem sido indenizados. Para garantir a propriedade, as pessoas nessa situação entram em um acordo de aluguel temporário, até o recebimento da indenização e consolidação da compra. Antonio Oliveira, 49 anos, proprietário de dois imóveis no conjunto Santos Dumont, confirma a alta procura para as negociações desse gênero: “Um dos clientes alugou a nossa casa com o propósito de compra, mas houve a desistência, não foi fechado o negócio, pois surgiram outras prioridades para eles."
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O proprietário conta que outro cliente, também da região e na mesma situação, propôs o mesmo acordo, justificando que o processo de ressarcimento estava em andamento, “Eles alugaram a casa já aguardando receber a indenização da Braskem, e assim efetuar o pagamento, comprando a casa. Todos os ex-moradores dessa região (bairros afetados) estão se dirigindo para a parte alta”.
Antonio conta que no conjunto Santos Dumont, muitas pessoas estão negociando dessa maneira: a família aluga a casa, deixando claro o propósito de compra, que acontece com o recebimento da indenização. Ele diz: “Muitas pessoas estão fazendo isso. Muitas pessoas estão vindo para a parte alta de Maceió, porque não querem mais comprar na parte baixa, devido aos riscos”. O diagnóstico é que a população não sente mais segurança em investir na parte baixa de Maceió, graças a possível instabilidade do local e ao receio de desabamentos.

Foto retirada da Internet
DESASTRE SOCIOAMBIENTAL: UMA QUESTÃO PSICOLÓGICA
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esastres, sendo eles provocados intencionalmente ou não, são eventos que desencadeiam estresse e frequentemente doenças ligadas à mente por conta da exposição ao perigo físico e emocional das vítimas. Com a situação dos bairros de Maceió não foi diferente. Tanto que há uma ação da Prefeitura de Maceió que garante atendimento psicológico para a população afetada. Procurando entender melhor a forma como nossa mente responde diante de uma mudança brusca em nossas vidas, decidimos convidar para nossa reportagem o Psicólogo Clínico, Professor Universitário e Doutorando em Linguística, Paulo Nascimento. Você entenderá mais sobre o impacto causado por desastres na entrevista abaixo:
A RELAÇÃO COM O TERRITÓRIO
Descobrimos que o apego demonstrado por muitos indivíduos afetados pelo desastre não se trata apenas de bens materiais, mas sim do território formado por vínculos sociais que funcionam como uma rede de apoio para essas pessoas.
DESASTRE SOCIOAMBIENTAL: UMA QUESTÃO PSICOLÓGICA
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esastres, sendo eles provocados intencionalmente ou não, são eventos que desencadeiam estresse e frequentemente doenças ligadas à mente por conta da exposição ao perigo físico e emocional das vítimas. Com a situação dos bairros de Maceió não foi diferente. Tanto que há uma ação da Prefeitura de Maceió que garante atendimento psicológico para a população afetada. Procurando entender melhor a forma como nossa mente responde diante de uma mudança brusca em nossas vidas, decidimos convidar para nossa reportagem o Psicólogo Clínico, Professor Universitário e Doutorando em Linguística, Paulo Nascimento. Você entenderá mais sobre o impacto causado por desastres na entrevista abaixo:
A RELAÇÃO COM O TERRITÓRIO
Descobrimos que o apego demonstrado por muitos indivíduos afetados pelo desastre não se trata apenas de bens materiais, mas sim do território formado por vínculos sociais que funcionam como uma rede de apoio para essas pessoas.
CONSEQUÊNCIAS EMOCIONAIS
Ao falar das consequências emocionais que um desastre pode trazer, Paulo explica o sentimento de frustração: "A frustração quando vivida em uma profundidade muito grande, a depender do nível de resiliência da pessoa, ela pode se desenvolver na direção, por exemplo, de uma depressão”, explica Paulo. Mas aconteceu com todo mundo? Descubra abaixo.
DANOS CAUSADOS ÀS VÍTIMAS
"Existe um campo de estudos chamado psicologia das emergências e dos desastres. A literatura científica da psicologia das emergências e desastres levanta um leque de adoecimentos mentais nos sobreviventes”, afirma Paulo. O psicólogo cita o Estresse Pós-traumático como uma das principais doenças relatadas.
O TRAUMA DESENCADEIA DOENÇAS
Quando perguntado sobre as doenças que podem surgir após o trauma, o psicólogo cita o transtorno da ansiedade generalizada e também diferentes formas de síndromes depressivas, como a depressão maior. Paulo ainda lembra que não são todas as pessoas que vão desenvolver essas formas de adoecimento: “A maioria das pessoas é muito resiliente. Elas se apegam aos laços familiares, a sua religião - a religião tem uma função importante nesse tipo de acontecimento -”, diz o psicólogo. E ainda complementa, “A literatura científica diz que, pelo menos 5% das pessoas atingidas por desastres vão precisar de acompanhamento especializado, porque elas vão ter diferentes formas de adoecimento mental”.
AGRAVAMENTOS DE DOENÇAS JÁ EXISTENTES
Sim. O enfrentamento dessas doenças antes do desastre pode ser agravado com a situação dos bairros. Paulo também cita a pandemia como fator que influencia essa piora, a negação dos sentimentos e a disponibilização de profissionais da área feito pela Braskem. Será que a estratégia da empresa conseguiu alcançar um resultado positivo?
HÁ UMA FÓRMULA PARA SE ADAPTAR?
Perguntamos sobre a forma com que as vítimas devem se adaptar ao novo local que vão reconstruir suas vidas. Paulo respondeu que chegou ao seu conhecimento que as famílias estavam combinando de se mudarem juntas. “Não tem uma regra pré estabelecida, porque eventos como esses não são comuns, então as pessoas inventam suas próprias estratégias, elas vão fazendo a coisa do 'tentativa e erro'. Uma das estratégias que eu tomei conhecimento é que na hora de se mudar, muitas famílias combinaram de se mudarem juntas. Interessante, né? O que está em questão é a manutenção, na medida do possível, dos vínculos sociais e da rede de apoio - serviços, padarias, escolas, igrejas, vizinhanças, amigos do bairro - para onde nós vamos recorrer quando a gente tem uma necessidade”. O psicólogo fala que essa adaptação leva tempo e que não há um manual. “É preciso passar por isso de forma resiliente e passar por esse processo de adaptação da maneira mais saudável possível”, afirma Paulo.
EM QUAIS CASOS É NECESSÁRIO ACOMPANHAMENTO PSICOLÓGICO?
“Nos casos em que pessoas estão apresentando sintomas de sofrimento mental, que estejam comprometendo sua vida e sua saúde”, o psicólogo também destaca que esses sintomas podem ser mentais - sentimentos de culpa, frustração, pensamentos suicidas -, emocionais, comportamentais ou físicos. Confira:
DISPONIBILIDADE DO PSICÓLOGO
Para finalizar, perguntamos a Paulo se os afetados pelo desastre podem entrar em contato com ele em busca de ajuda. O psicólogo diz que sim, mas que há um limite por conta de sua agenda profissional e pessoal. Porém sempre busca e estimula os amigos psicólogos a realizar trabalhos voluntários - assim como ele faz.
ANIMAIS TAMBÉM SÃO VÍTIMAS
s seres humanos não foram os únicos afetados com as mudanças que ocorreram nos bairros. Com o abandono da região muitos animais acabaram sendo deixados para trás. O que representa um risco à saúde pública, assim como ao bem estar dos animais.
Com isso em mente surgiu o projeto Integra Animal - Programa de Acolhimento de Animais - resultado de uma parceria da UFAL com a Braskem e a Fundepes, que veio para dar a assistência necessária para os animais que ficaram sem um lar para morar. Quem coordena o projeto é o professor Pierre Barnabé Escodro, e conta com a ajuda de mais 13 pessoas em sua equipe, formada por médicos veterinários, bolsistas, estagiários e voluntários.
Através do projeto, 100 gatos e 50 equinos já foram vacinados. Além dos animais que foram resgatados em situação precária, tratados e encaminhados para uma adoção responsável.
Quem pode falar mais do projeto é Pamela Thaiany, bolsista do projeto.
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Fotos: Reprodução Instagram / @grupopequiufal
Para saber mais, e acompanhar as ações do projeto é só seguir o instagram @grupequiufal.
VISIBILIDADE NACIONAL
Maceió está afundando” foi um dos assuntos mais comentados na rede social Twitter no dia 29 de Abril. Isso porque o influenciador digital alagoano Álvaro Xaro publicou por meio do Tik Tok, um vídeo explicativo sobre as consequências do afundamento do solo nos bairros de Maceió.
Álvaro tentou chamar atenção nacional para a possibilidade de ocorrer o maior desastre socioambiental na capital. O influenciador ainda destacou que outros bairros de Maceió também estão sofrendo com a exploração feita pela Braskem. Cita como exemplo o Farol, um dos mais conhecidos de Maceió e que ainda carrega a principal avenida da capital: a Avenida Fernandes Lima. No vídeo, que é composto pela narração do influenciador e sequências de stories de uma visita a “cidade fantasma”, Xaro revela a sua relação com um dos bairros afetados: "Minha vó é do bairro de lá (Pinheiro), a casa que eu cresci é de lá. Inclusive meu avô continua morando lá", disse Álvaro.

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O influenciador digital explicou a situação dos bairros de Maceió através do Tiktok. Reprodução: Twitter / @alvxaro
Depois da publicação de Álvaro, diversas páginas e usuários ficaram cientes da tragédia e se posicionaram a favor da população afetada:
Fotos: Reprodução / Twitter
PROTESTOS
om faixas e cartazes, comerciantes e ex-moradores dos bairros afetados, protestaram dizendo: “Queremos justiça!”, “Não aceitamos ficar fora do mapa”, “A Braskem está massacrando” e “Ministério Público, defenda a justiça, defenda o povo, defenda a vida”.
No dia 15 de junho, moradores dos bairros atingidos pelo afundamento do solo, realizaram um protesto organizado pelo Movimento Unificado das Vítimas da Braskem (MUVB), em frente ao Ministério Público Federal (MPF), cobrando por celeridade nos processos de indenização acordados com a Braskem.
Em nota, o Ministério Público Federal em Alagoas informou que reconhece o direito de manifestação dos moradores como meio de expressão das liberdades coletiva e individual, mas destaca que o exercício de tais direitos não deve inviabilizar os direitos fundamentais das pessoas, inclusive o direito de ir e vir.
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O Ministério Público Federal tem se reunido com a comunidade, através dos diversos movimentos e associações, sempre que há solicitação. Não consta nenhum pedido de reunião feito pela sociedade civil organizada pendente de agendamento, nem mesmo do movimento que organizou a manifestação de hoje."
O MPF ainda reafirmou seu compromisso na defesa da ordem jurídica e, sobretudo, dos atingidos pelos danos causados pela atividade de mineração da Braskem.
Fotos retiradas da internet
No dia 8 de julho, os protestos voltaram a acontecer, dessa vez em frente ao Ministério Público Estadual (MPE), na Avenida Fernandes Lima, principal avenida da capital. O pedido era o mesmo: aceleração nos processos de indenização dos moradores.
O trânsito na avenida foi bloqueado por volta de 9h nos dois sentidos. A via foi totalmente liberada às 14h15, logo após a divulgação da nota do Ministério Público Estadual, onde o orgão se comprometia a analisar reivindicações e dar resposta aos moradores até o dia 16 do mesmo mês.
E O QUE FAZ O GOVERNO?
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PREFEITURA DE MACEIÓ
uem mais tem se empenhado para buscar justiça para as vítimas da Braskem é o Prefeito de Maceió João Henrique Caldas (JHC). Desde o primeiro dia que assumiu o cargo, em 30 de Novembro de 2020, JHC se reuniu com o grupo SOS Pinheiro e já demonstrava interesse em debater um futuro plano de ação da prefeitura para solucionar a situação dos bairros afetados. Em suas redes sociais, o perfil de JHC publicou: “Será uma das prioridades na nossa gestão! É uma questão do que é correto e justo!”, afirmou João Caldas.
Em abril deste ano, JHC atendeu os pedidos da população afetada e visitou o Pinheiro. O prefeito ouviu os moradores que reclamavam dos valores das indenizações. JHC explicou que a Prefeitura não é parte integrante do acordo, mas disse que tem como fazer uma representação para que o pagamento das indenizações saia mais rápido e com um valor justo. Complementou ainda, “Acordo só é bom quando é bom para todo mundo”.
Fotos: Reprodução / Prefeitura de Maceió
No dia 4 de maio, o prefeito inaugurou o Centro de Acolhimento e Triagem (CAT) do Pinheiro. O centro visa o atendimento psicossocial da população realocada.
Esse centro será o divisor de águas na relação que a Prefeitura inicia, agora mais próxima dos moradores. Será fundamental para que a gente possa, num esforço coordenado e conjunto, entre a Prefeitura, as entidades que estão nos apoiando e os próprios moradores, garantir que eles tenham um local para buscar as informações corretas e o apoio que precisam”, disse JHC.
Sobre o CAT
A estrutura conta com uma área com mais de 1500 metros quadrados. Nela, há três salas que deverão ser usadas para o atendimento psicossocial e três galpões que poderão ser usados como espaços de atendimento em caso de emergência envolvendo as áreas de risco dos bairros de Pinheiro, Bebedouro, Mutange, Bom Parto e parte do Farol. Na central, as pessoas vão dispor de assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras.
Entramos em contato com o Gabinete de Gestão Integrada Bairros que sofrem com o afundamento do solo (GGI Bairros), que responde pela Prefeitura de Maceió através da Secretaria Adjunta Especial de Defesa Civil, para afirmar as positivas levantadas anteriormente. O responsável confirma o engajamento da prefeitura em oferecer serviços à comunidade, ressalta a importância da ajuda psicossocial oferecida pelo CAT para os moradores dos bairros afetados e conta que os atendimentos psicossociais já ultrapassam a marca de 300:
Desde a inauguração do CAT pra cá, o atendimento psicossocial já tinha passado de 300 atendimentos. Vale salientar que como as pessoas foram para outros bairros, elas podem estar procurando atendimento nos postos de saúde que já existem nesses bairros”, disse o responsável.
Quando falamos em apoio aos ex-moradores, além da questão psicossocial, o órgão nos informou que os moradores das áreas afetadas têm a isenção fiscal de IPTU, para os imóveis que estão no bairro, e que no momento não há planos para a criação novos centros de acolhimento.
Os atendimentos no CAT ocorrem de segunda a sexta-feira pelos agentes da Diretoria Social da Defesa Civil de Maceió. Já o atendimento psicológico ocorre às terças e quintas-feiras. Quanto ao atendimento da Secretaria Municipal de Assistência Social para a inscrição dos moradores dos bairros afetados no Cadastro Único, ocorrem às segundas e quartas-feiras. O horário de atendimento no local é sempre das 9h às 14h.
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A BUSCA DE JHC PELO APOIO DO GOVERNO FEDERAL
As tentativas de JHC não tiveram tanto impacto, em questão de conhecimento do Governo Federal, quanto gostaríamos. Isto é notado ao relembrar a visita do Presidente da República Jair Messias Bolsonaro a Alagoas, também no dia 4 de maio. No dia, JHC tinha planos de sobrevoar as áreas afetadas pela Braskem junto ao presidente, mas foi prontamente ignorado. Lembremos a situação: Durante a entrega de 500 apartamentos no bairro Benedito Bentes, o prefeito apelou apoio ao presidente em relação às ações da prefeitura voltadas para as vítimas do desastre socioambiental:
Faço um apelo todo especial para que o Governo Federal possa apoiar a Prefeitura de Maceió, para que a gente possa ajudar os bairros afetados pelo afundamento de solo. São 57 mil pessoas atingidas, são bairros que trazem a nossa cultura, de um povo guerreiro, para que a gente possa diminuir o drama dessas famílias. Precisamos contrapor laudos, será de vital importância do Serviço Geológico do Brasil. A gente sabe que o tema é muito complexo, mas a sinalização do Governo Federal em querer ajudar Maceió na causa do afundamento dos bairros é muito importante."
Após o apelo, essa foi a resposta que JHC recebeu:
Garoto JHC, idade dos meus filhos. Um abraço a você. Convivi contigo por dois anos na Câmara dos Deputados. Você é um cara excepcional. Tem tudo também para ser uma tremenda liderança, não só no Nordeste, mas em todo Brasil."
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Fonte: Diário do poder
GOVERNO DE ALAGOAS
Em pesquisa para a reportagem, é possível notar que Renan não se envolveu com o tema e depositou o problema nas mãos do município, visto que as últimas e únicas matérias que ligam o nome do governador ao desastre se datam em 2019. Dentre as notícias que é possível encontrar, a que mais chama atenção é a de vereadores condenando a inércia de Renan Filho diante ao drama no Pinheiro e adjacências.
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A PRIMEIRA CASA A RUIR
m uma sexta-feira, dia 6 de agosto, os veículos de imprensa começaram a divulgar a primeira residência a cair espontaneamente no bairro do Pinheiro. Após duas semanas de chuva, aquela sexta-feira estava ensolarada e calma, o desmoronamento não deveria ser uma surpresa, já que todo o bairro tinha sido desocupado e que o desastre era iminente, mas o fato de ser a primeira casa a desabar sem auxílio humano trouxe uma nova visão a todos os locais atingidos pela mineração.
A casa desabada, que tinha três pavimentos, térreo e dois andares, já havia sido desocupada, mas por segurança, os bombeiros foram ao local para verificar se realmente ninguém tinha se ferido. Ao cair, a casa derrubou também outra residência que tombou em direção à barreira do bairro do Mutange.
A Defesa Civil isolou a área e deu explicações sobre as possíveis causas do ocorrido, segundo o coordenador Abelardo Nobre:
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O principal motivo da queda foi a movimentação do solo, um fator que potencializou o desabamento foram as chuvas, a água deve ter ficado armazenada, o que forçou a edificação."
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Foto: Divulgação/ Defesa Civil de Maceió
e Ana Clara Pontes
O OUTRO LADO DA MOEDA: BRASKEM
ara entender melhor o outro lado da história e buscando compreender mais sobre os planos da empresa, abordamos três questões que foram essenciais para chegarmos perto de uma solução por parte da Braskem.
Como já dito anteriormente, depois da divulgação do relatório sobre a instabilidade no terreno dos bairros, feito pelo Serviço Geológico do Brasil (CPRM), a Braskem anunciou a paralisação preventiva de toda a sua atividade de extração de sal.
Em novembro de 2019, a Braskem apresentou à Agência Nacional de Mineração (ANM) e demais autoridades medidas para o encerramento definitivo da extração de sal e fechamento de seus poços em Maceió com foco na segurança das pessoas acima de tudo.
Entre as ações, foi criada também uma área de resguardo em torno de 15 poços com a realocação de pessoas e desocupação de cerca de 500 imóveis, além do monitoramento permanente das áreas vizinhas.
Em fevereiro deste ano, a Braskem retomou a produção de cloro, soda-cáustica e do composto químico dicloretano em sua unidade, no Pontal da Barra, que estava paralisada. A nova operação é realizada com sal seco importado do Chile, já que a Braskem encerrou definitivamente a extração de sal na cidade e trabalha agora no fechamento dos poços.
A Braskem segue com obras de preenchimento com areia, tamponamento e monitoramento contínuo dos poços de sal. As obras devem durar cerca de três anos e estão sendo acompanhadas pela Agência Nacional de Mineração (ANM).
Para entender melhor as técnicas adotadas para que o fechamento definitivo dos poços seja possível, confira o gráfico disponibilizado pela Braskem:
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ENCERRAMENTO DA EXTRAÇÃO DE SAL
RETOMADA DA FÁBRICA
PLANO DE FECHAMENTO E PREENCHIMENTO DOS POÇOS

Fonte: Braskem
E O FUTURO?
uanto ao futuro dos bairros, é uma dúvida incerta, mas que está longe do fim. Em entrevista ao G1, o pesquisador e especialista em geotécnica e geologia, Abel Galindo Marques afirma que 10 anos é o tempo médio necessário à estabilização, “Poderá ser mais ou um pouco menos”.
As pessoas que moram nas localidades vizinhas às áreas afetadas revelam ter medo de uma tragédia maior acontecer, mas o pesquisador descarta o risco de afundamento repentino: "O processo é lento, entre 1,0 cm e 2,5 cm por mês. 75% das 35 minas [de sal-gema] situam-se nessa área da avenida. Por isso não há aumento do risco nas áreas de instabilidade do afundamento do solo", afirma ainda Abel Galindo.
Por fim, não há perspectiva de que os bairros afetados possam ser habitados novamente, já que a movimentação do solo compromete a estrutura dos prédios e casas, provocando rachaduras e desabamentos.
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Fonte: G1
DESFECHO
É triste descobrir que tantas vidas foram retiradas de seu lar por negligência. Cada morador que vai embora leva consigo suas raízes, afinal, a moradia é algo que constrói parte de nós. Imaginando um cenário muito longe da realidade, em que a Braskem ressarcisse dignamente cada cidadão afetado, que pelos relatos não está acontecendo, não estariam fazendo mais que a obrigação e ainda assim não seria o suficiente para a redenção dos responsáveis.
O que aconteceu certamente foi um crime, a empresa não extraiu apenas Sal-gema, extraiu também uma parte de cada morador, deixou um buraco na cidade de Maceió e outro no coração de todos os afetados. Esse prejuízo inestimável, dinheiro nenhum poderá suprir.

Fotos: Reprodução Instagram / @psico_paulo
DEPOIMENTOS
VALDA BARROS, 56
Veio do Pinheiro. O momento mais marcante no bairro é a reforma que conseguiu fazer em sua casa. Valda só entendeu o tamanho da gravidade quando viu algumas casas serem lacradas na vizinhança. Antes dos tremores, Valda relata a super valorização do bairro, “Era ótimo”.

ROSILENE VIEIRA, 34

Veio do Pinheiro. O momento mais feliz de Rosilene no bairro foi quando teve seus filhos. A ficha de Rosilene só caiu quando seus itens estavam indo embora no caminhão de mudanças. Quando perguntada sobre sua opinião acerca da situação em 2018, Rosilene achou que as rachaduras eram “besteira”, mas depois sentiu o tamanho da gravidade. Perguntamos se a empresa vinha cumprindo os pagamentos de aluguel, a ex-moradora disse que sim, e que espera que o que foi prometido seja cumprido - com relação à indenização das casas. Ao final, quando perguntamos a mensagem que ela deixaria para os responsáveis, ela diz: “Você acabou com a vida da minha família”.
ELISÂNGELA MOREIRA, 41
Veio do Mutange. Tem como memória favorita no bairro sua infância e adolescência. Ao ser perguntada sobre o momento onde viu que era preciso abandonar sua casa, Elisângela diz que aconteceu ao ficar sabendo dos rumores de que as rachaduras haviam se alastrado para outros bairros. Em 2018, Elisângela vivia a vida normalmente com sua família sem ter noção do que vinha acontecendo. Ao relembrar os anos, Elisângela compara a situação das vítimas a uma bomba relógio, prestes a explodir. Depois dos tremores, a moradora pensou que tudo voltaria ao normal, assim como outros países, onde também relataram abalos sísmicos. Perguntamos se a empresa vinha cumprindo os pagamentos de aluguel, a ex-moradora disse que sim, mas que a mais de um ano espera pelo valor estipulado do imóvel. Ao ser perguntada sobre qual mensagem deixaria aos responsáveis pelo desastre, Elisângela diz com revolta: "Vá embora de Alagoas! Você acabou com nossas vidas, dignidade e nosso futuro” e finaliza, “Braskem comprou nossa casa a preço de banana”.

ELIAS MELO COSTA, 32

Veio de uma comunidade chamada Gruta do Padre, localizada no bairro do Mutange. Nasceu e cresceu no bairro, criou raízes no local que segundo ele contribuíram para formar sua identidade. Ao ser perguntado sobre o momento mais marcante, Elias diz que foi algo que aconteceu antes dele nascer: a luta de sua mãe para conseguir aquela moradia através de parcelas, muita dificuldade e trabalho duro, “Conquista honrosa, que anos depois seria tirada de nós”, comenta o jovem. Ele continua: "Ver na televisão notícias sobre o deslocamento dos moradores para outros bairros é uma coisa, talvez não dê tempo nem de você pegar um apego, porque na realidade só entende de verdade quem passou pela situação”.
© 2021. Do abalo à ruína.















































